Página 01 – Fada.

  “ACORDA!” Gritou a pequeno pássaro entrando pela janela do quarto.

  “Fünf, eu quero dormir, fecha a janela.” Falou cobrindo o rosto com o travesseiro.

  “Rodrigo, já é dez da manhã e você ainda esta dormindo. Levanta hoje o dia está lindo, olha pra mim.” Falou o pássaro, verde, um beija-flor. Estava voando de um lado para o outro dentro do pequeno quarto onde o garoto dormia.

  O quarto era pequeno e simples, tinha uma cama de solteiro, de frente para a janela que estava sempre aberta. Só ficava fechava em dias de chuva. O garoto, morava na casa de seus avós. Uma casa Grande, antiga mas muito acolheidora.

  Rodrigo decidiu levantar, ficou sentado na cama olhando para o vazio. Coma fazia todos os dias. Estava só de cueca e levantou procurando algo para vestir, com os olhos cerrados a luz do sol das dez da manhã ainda incomodava.

  Pegou qualquer roupa que estava encima de uma cadeira do lado da cama e vestiu. Seu quatro era pequeno, tinha poucas coisas. Uma cama, um banco de madeira onde ficava um ventilador. Uma mesa e cadeira de ferro.

  Abriu a porta do quarto e virou pelo corredor para descer as escadas. Descendo as escadas passou por uma sala grande, com quatro sofás e dois armarios antigos. E a esquerda, tinha um corredor largo, com portas para outros quartos. Depois da cozinha, esse corredor era o lugar onde ele se encontrava com sua família quase todas as tardes.

  O beija-flor vinha voando logo atrás dele, fazendo tantas perguntas e olhando tudo ao redor. Rodrigo ia caminhando até a cozinha, a casa era grande e parecia sempre vazia. O silêncio dominava.

  “Bom dia Zuzu.” Disse Rodrigo entrando na cozinha, ela o respondeu e voltou a arrumar a cozinha.

  “Bom dia moça simpatica” disse o pássaro, mas ninguém respondeu. Ela não podia o ver ou ouvir. Rodrigo estava procurando por um copo, já de olho na garrafa de café encima da mesa que estava quase seca.

  Ele pega um copo olha para a mesa e se senta em uma das cadeiras de madeira. Ele amava aquelas cadeiras, era de uma madeira pura e parecia antiga. A cozinha da casa era grande. E ele sempre ficava lá depois de acordar.

  O pássaro pousou na cadeira ao lado e como mágica se transformou em um garoto. Parecia ter desseseis anos, cabelo longo, não tão grande penteado para o lado, laterais da cabeça raspada, parecia um moicano. Cabelos de cor verde escura e a pupila dos olhos tinha horas que ficava violeta.

  “Essa é a cadeira do meu avô, a qualquer momento ele pode chegar.” Disse Rodrigo, pegando a garrafa e enchendo mais uma vez seu copo com café. Fünf saiu da cadeira mesmo sabendo que ninguém podia o ver.

  “Então, eu encontrei um jeito de resolvermos tudo. Concertar toda a sua vida.” Disse Fünf empurrado Rodrigo por um espaço na cadeira.

  “Eu já disse que não quero falar sobre isso. Ainda não me sinto a vontade.” Rodrigo pegou o copo com café e bebeu mais um gole. Parecia que cada gota de café o fazia se sentir melhor. Pelo menos a cafeína estava acordando o seu corpo.

  Enquanto tomava mais um copo de café, ele ouvia os passos se aproximando. Era sua avó, ele já reconhecia pelo arrastar do chinelo, um andar calmo, de quem já andou muito nessa vida. Rodrigo estava com uma cara seria, até ver sua avó passando pelo corredor.

  “Diz que é verdade que tu já acordou?” Falou sua avó se aproximando.

  “Sim é verdade. Bença vó” Falou Rodrigo como sempre fazia, e estendeu sua mão. Sua avó se aproximou sentou na cadeira ao lado e disse: “Deus te de saúde.”

  Rodrigo cresceu com sua avó, ele só a chamava de avó por causa do costume. Mas ela a tinha como uma mãe. Sua avó, um senhora muito simpática, sempre tinha algo a oferecer ou falar para ele.

  “Ver se ainda tem pão ali no armário, está escondido dentro da panela.” Falou sua avó, baixinho, apontando para o armário. “Tu sabe como é o povo daqui, come tudo e não deixa pra ninguém. Ó, óh.”

  Vendo os dedos da sua avó fazendo sinal de negatividade. Rodrigo riu e saiu da mesa para pegar uma sacola de pães.

  “Cara eu amo a sua avó, ela é tão divertida. Você devia ser mais como ela. Ó ó” falou Fünf que mudou sua forma para um beija-flor e ficou voando sobre sua cabeça.

  “Achou?” Perguntou sua avó. “Eu não acredito que já pegaram os pães que eu deixei ai.”

  “Achei vó.” Respondeu. “Fünf você sabe que eu não posso ficar conversando com você por perto. Para de fazer perguntas.


  Depois que tomou café com sua avó, Rodrigo voltou para seu quarto, subia com um copo cheio, entrou no quarto e pegou uma chave. O lado direito do seu quarto, era um corredor com quatro portas. Ao fim do corredor a esquerda era o quarto da sua tia Joelma.

  Rodrigo morava na casa do seus avós desde sempre. Passou pouco tempo com sua mãe biológica e depois que ela se foi. Ele ficou com sua avó e sua tia.

  Ele entrou no quarto, fechou a porta e ligou a televisão. O quanto da sua tia era duas vezes maior que o seu e três vezes mais confortável.

  “Agora você pode me escutar.” Falou Fünf voltando a forma humana, e sentando na cama, que era grande e confortável. “Adoro essa cama. Se quiser aumentar um pouco o som da TV. Agradeço.”

  “Lima.” sobrenome do Rodrigo. “Encontrei um encanto que vai nos fazer esquecer de vez seu problema, sua mãe.” Fünf falou super animado. “Não é encanto, que some com o tempo, nem porção das que eu te dei e dura poucas horas. É uma arma, usada pelo meu povo para tirar a memória de guerreiros fadas corruptos. Para sempre!” Fünf jogou um pó brilhante para o alto, é o brilho em seus olhos era de felicidade.

  Como Rodrigo cresceu com sua a avó, ele sentia as vezes falta de seus pais. Uns dias mais que outros. Ele não falava muito sobre isso, mas sempre tinha guerras interiores para lutar. Ele era grato por todo o amor que recebia de sua avó e tias, mas parecia não ser o suficiente. Sua mãe sempre aparecia em forma de fantasma para o assombrar.

  “Eu não quero falar sobre isso, mas o que eu tenho que fazer?” Perguntou Rodrigo pronto para o que for.

  “Eu vou abrir um portal, e nos vamos pegar a arma encima de uma mesa.”

  “E qual a pegadinha nisso tudo?”

  “Como assim? Não tem pegadinha, mas tem um guarda protegendo a arma. Mas pode deixar que eu cuido dele.”

  Fünf levantou da cama, tocou na maçaneta da porta e falou: “Ezqoq Nuqsek”. Ao abrir a porta do quarto, não era mais o corredor da casa da sua avó e sim um corredor largo cheio de portas. Eles passaram pelo portal e foram caminhando pelo corredor. Por uma das janelas, Rodrigo viu que era um prédio, mas do lado de fora não tinha ruas ou casas. Mas uma imensa floresta, era verde até onde sua visão alcançava.

  “Fünf onde nós estamos?” Perguntou Rodrigo ainda olhando pela janela.

  “Em um lugar muito longe. Estamos no domínio das fadas.”

  Um guarda estava de aproximando, Fünf deu um pulo e se transformou. Dessa vez não era em um beija-flor. Mas em uma forma sua menor e com asas, sua forma física de fada. O guarda viu Rodrigo na janela, apontou sua lança para o garoto e de longe gritou: “Garoto não se mova!”

  Fünf que estava em sua forma de fada, voou rumo ao guarda. De suas mãos estava caindo areia. O guarda tentou o acertar com a lança, mas Fünf era mais rápido e desviava de cada golpe. Em menos de um minuto, o guarda caiu no chão, Fünf jogou a areia nos seus olhos e o fez dormir.

  “Rápido, mais guardas estão vindo, pega a arma encima da mesa, na porta ao fim do corredor.” Gritou Fünf enquanto olhava para traz vendo outro guarda se aproximar.

  Rodrigo correu o mais rápido que pode. Olhou para trás e gritou dizendo que a porta estava fechada. Fünf demorou um pouco mais para derrubar o outro guarda. Voou para perto do amigo e usou um encanto para abrir a porta. Ao abrir a porta, Rodrigo logo viu a mesa no centro da sala. Uma caixa vermelha sem tampa É como Fünf tinha dito, a arma estava lá, ele não demorou e pegou.

  “Faz um portal nessa porta” gritou Rodrigo, ouvindo passos de outros guardas se aproximando.

  “Eu não posso, minha magia não é tão forte aqui dentro. Temos que voltar pro lugar onde entramos.” Puxando Rodrigo pelo braço. Chegaram na porta e de longe Fünf gritou: Ezqoq Nuqsek”. Quando abril a porta, viu o quarto da tia do Rodrigo e atravessou. Viu os guardas correndo atrás e fechou a porta rápido.

  “Cara que loucura! A Rainha vai me matar quando souber disso.” Falou Fünf levantando do chão.

  “Como assim a rainha? Nós vamos morrer!” Disse Rodrigo ainda deitado no chão com o coração acelerado.

  “Sim a rainha, minha mãe dona daquela torre. Não só conseguimos entrar lá porque eu tenho a mesma magia que ela. Você tem sorte em me ter do seu lado. Já pensou se fosse outro alguém pra entrar naquela torre? Nunca ia passar do terreo do prédio.” Disse Fünf orgulhoso, pegando a arma do chão.

  “Me deixa aqui no chão, nunca mais invado prédio com você.” Rodrigo se levantou, pegou uma garrafa de água dentro da pequena geladeira que fica no quarto, ao lado da TV.

  “Agora eu tenho que sair, vou fazer um encanto pra essa arma funcionar.” Fünf se transformou em uma fada e voou pela janela com a arma, que reduziu de tamanho junto com ele. Rodrigo ficou sentado no quarto, ligou a televisão e bebeu toda a água da garrafa.

  De longe Fünf gritou: “Amanhã eu trago a arma.” É sumiu no ar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s