Página 02 – Memórias ao vento.

  “Por várias noites eu o vi chorando. Ele nunca me diz o motivo verdadeiro. Eu tento de várias formas tentar fazer ele sorrir. As vezes da certo, mas os sorrisos que eu trago não faz muita diferença.” Falou Fünf que estava estava sentado a mesa junto com sua mãe, a rainha das fadas.
  “Minha Rainha, acredito que se ele souber a verdade, a toda a verdade, ele podera voltar a sorrir. Hoje a tarde eu fingi invadir sua torre, para ver se ele ia gostar de um pouco de aventura. Quando chegamos a casa da avó dele, tudo voltou ao normal. Ele tem um problema maior do que eu possa resolver.” A Rainha olhava atentamente para ele, enquanto sorria lentamente. Uma fada estava em pé, penteando o cabelo da rainha, fazendo tranças.

  “Mãe, eu gostaria de trazer ele para ca, para nosso reino. Talvez ele se sinta melhor. Conhecer todo esse mundo novo pode abrir os olhos dele para algo maior. Talvez ele volte a ser feliz.” Fünf olhava atentente para ela. A Rainha levantou a mão e fez um sinal para todos saírem da sala. Em um minuto ela ficou a sos na sala com o Fünf.

  “Rodolfo, querido, já tivemos essa conversa. Eu não quero aquele garoto aqui, não ainda. Você não pode falar nada das fadas para Rodrigo Lima. Vai chegar a hora certa, onde estar toda a paciência que eu te ensinei a ter? Falta mais em você. Vá, faça seu dever e não me decepcione.” A Rainha levantou da mesa e saiu, o silêncio era tão grande que os passos da rainha ecoava.


  “Cheguei, acabei de ver sua tia saindo. Ele estava com aquelas cachorrinhas.” Fünf entrava pela janela do quarto e mudava sua aparência para sua forma humana.

  “É eu a vi. Acabei de dar tchau pra ela. Ela trouxe maçãs, você quer uma?” Rodrigo estava deitado na cama, assistindo TV enquanto mordia uma maçã.

  “Que surpresa você não estar tomando café” Fünf abrio a geladeira e pegou uma maçã, sentou na cama e mordeu a maçã.

  “Minha tia fez um café amargo, minha avó deve estar agora na cozinha colocando açúcar.”

  “Ah eu vou lá ver ela. Mesmo que ela não me veja.” Fünf se transformou no beija-flor e voou pela janela, deixou a maçã encima da cama, que logo caiu no chão.

  Rodrigo sentou na cama e viu a arma que pegou na Torre das fadas. A arma estava encima da pequena geladeira, com um brilho diferente, uma cor verde iluminava a bala. Pegou a arma e apontou para a parede. Enquanto treinava sua mira, pensava no estrago que a arma podia fazer. A arma para apagar memória poderia fazer algum dano físico? Pensava o garoto.

  “Lima não!” Fünf entrou pela janela.  Mudou de forma e se aproximou. “Solta a arma, nos só temos uma bala. Vai demorar muito para fazer outra.”

  “Eu não deveria segurar uma arma, ainda sou criança.”

  “Primeiro, isso não é um revólver, ninguém vai perder a vida por causa dessa arma. Segundo, estamos em guerra e em uma guerra, nada e nem ninguém é inocente.” Fünf tirou a arma da mão do Rodrigo e guardou. Olhou para ele e é fez sinal com a mão para ele o acompanhar. Pegou a maçã do chão e sorriu.

  Fünf tocou na maçaneta da porta e lançou um encanto para abir um portal.

  “Antes de ir, lembre. Essa arma não vai matar ninguém. Isso é só para converter tudo, apagar suas memórias ruins.” Fünf estava olhando para baixo, o sorriso em seu rosto, tinha sumido. Ele nunca ficou tão sério como agora.

  Abriu a porta e atravessou. O portal os levou para a rodoviária da cidade. A mãe do Rodrigo morava ali por perto e Fünf já tinha feito todo o plano. Enquanto caminhava para sair da rodoviária, Fünf mudou de forma e começou a voar, as ruas sujas da cidade com lixo jogado nos cantos da rodoviária o deixava triste com a humanidade. Como alguém pode fazer tanta sujeira.

  Rodrigo foi caminhando sem dizer uma palavra, Fünf também estava em silêncio. Até parecia que algo ruim iria acontecer. Rodrigo estava nervoso e com medo de não conseguir apontar uma arma para sua mãe.

  É impossível uma fada mentir, mesmo confiando e acreditando no Fünf, Rodrigo sentia algo diferente acontecendo. Chegando na rua da casa, Fünf parou.

  “Agora é com você, te espero aqui.” Falou Fünf parando de voar e mudando de forma. Tirou do bolso uma porção e a arma. Ninguém na rua podia ver Fünf ou qualquer objeto mágico.

  “Para que é isso?” Perguntou Rodrigo segurando o frasco de porção.

  “Porção da raiva. A raiva vai te dar coragem e vai fazer você falar a verdade. Antes de atirar.” Falou Fünf entregando a arma. “Bebe de uma vez, tem gosto de remédio.”

  “Vem comigo.” Fez careta depois de beber e entregou o frasco pra ele.

  “Não posso, sua mãe é uma religiosa fanática, não gosto de gente assim. E você não é o único que pode me ver.” Rodrigo virou as costas e começou a andar em direção a casa da mãe.

  Enquanto caminhava a porção começava a fazer efeito. Rodrigo começou a lembrar do dia em que sua mãe foi embora, lembrou de cada tapa, surra e chicotada que levou de seu padrasto e ela não fazia nada. Lembro de quando ela voltou e o obrigou a morar com ela, lembrou de cada lagrima de dor e tristeza que ele teve por culpa dela. Veio então o sentimento de abandono e de não ser amado. Sua mão começou a tremer.

  Quando ele chegou na casa, a porta estava aberta. Sua mãe estava sozinha na casa com seu irmão mais novo. Sua mãe olhou para ele e se assustou, viu toda a raiva em seus olhos e viu também a arma na mão.

  “Meu filho o que é isso?” Assustada falou, o coração logo acelerou e seus olhos encheu d’água.

  “Eu vim resolver todos os nossos problemas.” Falou em tom alterado.

Sua mãe olhou por trás dele, na calçada tinha uma senhora sentada, um senhor andando de bicicleta e pela janela viu seu outro filho brincando, Eduardo brincando na rua com outras crianças. Ninguém via nada que estava acontecendo, Fünf estava do lado de fora usando seus encantos e porções.

  “Meu filho em nome de Jesus abaixa essa arma, não precisa fazer isso. Eu sou tua mãe, eu te amo.” Ela estava de pé, parada em choque e comecou a chorar. Levemente encontrou na parede, sentiu que ia desmaiar.

  “Não!” Gritou Rodrigo, não acreditava em nenhuma palavra. “Eu estou cansado de tudo isso, cansado de chorar todas as noites e pensar como seria diferente se você não tivesse se casado.” Rodrigo apontou a arma para sua mãe e colocou o dedo no gatilho.

  “Sangue de Jesus, senhor não deixa isso acontecer.” Clamando por sua vida, ela começou a orar, as lágrimas em seus olhos não parava de descer.

  “Eu só queria que tudo fosse diferente, que você não tivesse me deixado para trás ou me trocado pelo seu marido. Eu quero ver vocês dois a sete palmos na terra. Só não faço isso por causa dos meus irmãos” Rodrigo tremeu nas palavras segurando seu choro começou a soluçar.

  “Essa arma não vai te matar, mas vai fazer eu te esquecer quando eu puxar o gatilho. Se você tivesse prestado mais atenção em mim. Nunca chegaríamos a esse ponto em que eu tenho ódio.” Sua mãe não parava de chorar e Rodrigo vendo toda aquela fragilidade, não exitou.

  “O certo é deixar você ir.” Rodrigo quase apertou para atirar. “Mesmo tão incerto te protejo, atiro em mim” Colocou a arma na própria cabeça e atirou.

  Tudo pareceu em câmera lenta, a gravidade puxando seu corpo para o chão, a dor em sua cabeça e em seus osos. A arma fez um som suave, tudo que ele conseguia ouvir era os gritos de sua mãe pedindo a Deus para ele não morrer. “Não isso não pode acontecer. Senhor me ajuda.” Era o que ele mais ouvia.

  Jogado no chão sentindo sua mãe o tocar, sua visão escureceu. E ele só conseguia ouvir o choro so seu irmão mais novo que tinha acabado de acordar com toda aquela confusão.

(Continua…)

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