Página 03 – Eu sou um deus.

  “Não chora bebê, vai ja melhorar. Tudo isso vai passar. Agora dorme.” Falou o rapaz que estava dentro do quarto do irmão mais novo do Rodrigo. Quando o bebê parou de chorar, ele saiu do quarto e foi para a sala.
  O tempo estava parado. Ele olhou atentamente para aquela mulher chorando vendo o corpo do filho que pensa estar morto. No chão o garoto já inconciente, parecia mais estar dormindo. Ele se aproximou dos dois, chegou perto do ouvido da mãe dele e sussurrou: “A fé mais forte nessa sala não é a sua. Você está orando para o deus errado.”

  O garoto se levantou e foi para a porta. “Fada! Venha aqui.” Gritou.

  Imediatamente Fünf apareceu como um beija-flor e mudou para sua forma humana. Se perguntando o que estava acontecendo.

  “Eita que mal educado.” Falou irritado, até que viu Rodrigo deitado no chão. “Pelas árvores! O que aconteceu aqui e quem é você?”

  Desesperado, Fünf se aproximou do seu amigo deitado no chão e passou a mão na seu pescoço.

  “Ele atirou na própria cabeça. E foi nesse momento que eu apareci.” Falou o rapaz que de pé, olhava para baixo para os três no chão e parecia sorrir daquela cena.

  “Obrigado. E quem é você mesmo?” Sem tirar os olhos do amigo, Fünf perguntou.

  “Eu sou o Lith, Roberto Lith. Sou um deus, sou parte do Rodrigo assim como você.” Lith se abaixou para ficar com os olhos na altura dos olhos do Fünf.

  Pela primeira vez Fünf parou para o observar. O brilho nos seus olhos era igual ao do Rodrigo quando ele bebeu a porção da raiva. Ele era um pouco mais alto mas postura era igual, usava roupas pretas e tinha o mesmo corte de cabelo do Fünf, mas não era colorido. Era preto como a noite, assim como os seus olhos. Fünf queria fazer tantas perguntas, mais no momento só pensava em resolver aquela confusão.

  “Fada, me der o seu melhor enconto de memória, vamos resolver essa bagunça e tirar o Rodrigo daqui.” Disse Lith enquanto se levantava e apontava suas mãos para a mulher que estava chorando. “Era pra você estar no chão agora.

  Fünf se levantou e se aproximou do Lith. “Minha magia de memória não é tão forte assim.” Sussurrou.

  “Tenha fé, eu sou um deus.” O tom de voz irritou Fünf, que respondeu sem pensar. “Eu só acredito em mim mesmo.”

  Lentamente tudo foi voltando ao devido lugar. Rodrigo continuava no chão, mas sua mãe agora voltou para o mesmo lugar onde estava quando ele chegou na porta da casa. Fünf estava com as mãos em volta da cabeça da mulher sussurrando o seu enconto. “Liluqoe Rikisote”

  Lith estava na sala ao lado do corpo do Rodrigo. “Isso é o máximo que você pode fazer?” Provocou Fünf enquanto olhava para seus olhos.

  “Pronto, podemos ir.” Lith estava voltando para a sala, mas não tirava os olhos da mãe do Rodrigo. “Segura em mim, que agora nos vamos voar.” Falou Lith, levantando Rodrigo nos braços.

  Fünf ficou olhando para a mãe do Rodrigo, e se perguntava se sua magia ia durar e se ela estava bem. Toda magia de memória não apaga tudo. A pessoa esquece o que aconteceu, mas sente medo. Agora depois disso que Rodrigo fez, ele se perguntava se a sua mãe ia sentir medo ao chegar perto dele.

  Em um piscar de olhos, eles já estavam na casa da avó do Rodrigo, mais precisamente no quarto. Sem precisar de portal, Lith teletransportou.

  “Me ensina!” Falou Fünf. “Como você sabia que era aqui, que era para esse lugar que a gente ia voltar?”

  “Fadinha. Eu sei das coisas.” Disse Lith, terminando de arrumar Rodrigo na cama. “Agora ele vai dormir um pouco. Vamos ver os efeitos da bala que ele usou.”

  “Babaca.” Disse Fünf irritado. “Não sou uma fadinha.”

  “Me desculpe. É que eu gosto de provocar as pessoas.” Lith se sentiu na cama. “Mas me conte um pouco sobre você.”

  “Eu sou o Fünf, Rodolfo Fünf. Sou filho da Rainha das fadas.” Disse orgulhoso. Sorriu se virou para ligar o ventilador. Não queria ver Rodrigo suar.

  “Pensei que era impossível uma fada mentir.” Perguntou Lith curioso.

  “Como assim. Eu não estou mentindo.”

  “Desculpe, pensei que você sabia. Sobre a Rainha fada.” Lith, ficou envergonhado. “Pensei que você sabia que era adotado.”

  Fünf mudou de forma, transformou-se em um beija-flor e voou pela janela. De longe ouviu Lith falar “Espera não vai”.


  Fünf voou pela casa e foi para o quarto da avó do Rodrigo. Ela estava assistindo a novela, deitada na rede com um pé do lado de fora empurrado para o balanço.

  Fünf ficou na janela, ainda em forma de beija-flor e ficou acompanhando a novela. Juarezita, a avó do Rodrigo. Estava sozinha na casa e quando chegava o intervalo da novela ela continuava a se balançar na rede e fechava os olhos.

  Fünf ficou lá, olhando a novela e pensando no que ela diria para ele sobre essa situação. Fünf sabia que a Rainha Fada não era sua mãe biológica. Ele não gostava de falar sobre isso, mais a amava como mãe e sabia que sangue não era nada, mas sim o amor e carinho no coração. O mesmo que Rodrigo sentia por sua avó e tias.

  Por dois capítulos da novela, Fünf obcervou a avó deitada na rede. Até que começou a novela e ela não acordou. Então ele decidiu voltar para o quarto onde Rodrigo estava.

  Quando entrou pela janela. Rodrigo estava dormindo, Lith não estava no quarto. Fünf sentou no chão, ligou a TV na Mtv, colocou no volume mínimo e ficou assistindo esperando Rodrigo acordar.

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